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Resenha:  O Códice de Nathan Pentecoste — Ascensão

Gênero: Fantasia Urbana • Jovem Adulto • Mitologia Angelical • Literatura Brasileira

Avaliação: 4.7 / 5

SINOPSE
Nathan Pentecoste tem 16 anos e uma vida que parece absolutamente comum: é capitão do time de basquete do colégio, artista marcial de muay thai e carrega as marcas de um término que nunca teve um ponto final. Até que, numa manhã de corrida no Parque do Ingá, em Maringá, algo desperta dentro dele — uma herança celestial que lhe concede poderes sobrenaturais e atrai perigos iminentes.

O que começa como um fenômeno inexplicável revela, camada por camada, uma verdade que reorganiza tudo o que Nathan acreditava sobre si mesmo, sobre sua família e sobre o mundo à sua volta. Porque o mundo, ele descobrirá, guarda uma guerra silenciosa que coexiste com o cotidiano do século XXI — e Nathan nasceu no centro dela.

NARRATIVA
O maior acerto de Ascensão está na escolha de apresentar Nathan como um adolescente genuíno antes de revelá-lo como herói. O livro não abre com prodígios ou batalhas épicas. Abre com raiva reprimida, orgulho mal disfarçado e uma rotina de treinos compulsiva — o retrato reconhecível de um jovem tentando lidar com uma decepção amorosa. Essa ancoragem emocional é o que torna a virada sobrenatural tão eficaz: quando ela chega, já nos importamos com o personagem.

"O que separa Nathan da legião de protagonistas escolhidos do gênero é exatamente isso: ele começa como um garoto magoado, e o livro nunca deixa que ele esqueça disso."

A narrativa se estrutura em 30 capítulos com ritmo seguro, alternando momentos de descoberta e tensão crescente. O autor tem habilidade para construir cenas de ação dinâmicas sem sacrificar o desenvolvimento emocional dos personagens — um equilíbrio que muitos livros do gênero não conseguem manter.

WORLDBUILDING

O universo construído em Ascensão é um dos pontos mais ambiciosos e bem-executados da obra. A mitologia angelical e demoníaca foi pesquisada com cuidado: os nomes, as hierarquias e as funções de cada espécie têm raízes verificáveis na tradição judaico-cristã e nos textos apócrifos, mas o livro os reorganiza com originalidade genuína. A Irmandade da Virtude Dourada é construída com lógica interna sólida, e o livro apresenta essas informações de forma orgânica, sem transformar capítulos em enciclopédias do universo.

PERSONAGENS
O elenco de suporte é um dos maiores trunfos da obra. David, o melhor amigo, é o personagem com quem o leitor comum mais vai se identificar: humano, sem poderes, mas indispensável. Isabela, a paladina responsável pela integração do protagonista, tem um arco próprio que vai muito além do papel de tutora. E Jenifer, a vizinha misteriosa, guarda um segredo que o livro revela com precisão, transformando o que parecia uma história de romance num vínculo muito mais complexo.

 

IDENTIDADE BRASILEIRA
Maringá não é apenas cenário, é personagem. O Parque do Ingá, a Catedral, o Grupo Galliard, a trilha sonora com Haikaiss e Raimundos. O livro abraça a cultura brasileira sem pedir licença, e isso é um diferencial raro num gênero dominado por referências norte-americanas e europeias.

PONTOS ALTOS
• Protagonista emocionalmente crível antes de ser sobrenatural.
• Worldbuilding com pesquisa real e cosmologia original.
•  Identidade brasileira autêntica e sem complexo de inferioridade.
•  Elenco de suporte com arcos próprios e relevantes.

 

VEREDICTO
Ascensão é uma estreia consistente, ambiciosa e brasileiríssima. Num mercado onde a fantasia YA nacional ainda luta por espaço, o livro se destaca por ter clareza de voz, personagens com espessura emocional real e um universo mitológico construído com cuidado — não importado, mas reimaginado. É o tipo de obra que fecha deixando o leitor com a sensação de que o melhor ainda está por vir.

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